quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Enquete Especial I: Você e sua melhor amiga se apaixonaram pelo mesmo cara. O que fazer?

* Como as revistas bregas femininas, nós agora teremos uma sessão especial para discutir as maiores dúvidas existenciais femininas. Essa é a primeira delas. Foi amplamente discutida por diversas especialistas no assunto. No bar, obviamente. Se você tiver uma questão realmente relevante e idiota, pode mandar que nós nos encarregaremos de solucioná-la.

Você estava bem feliz. E conheceu um cara bem legal. E ele é tudo. E você quer casar com ele. E ter cinco filhos. E um fusca.

E a sua melhor amiga te liga. E fala a mesma coisa. E vai na sua casa.

E você descobre que o cara dos seus sonhos... é o mesmo que o dela. O que fazer, meu deus?

Como duas mulheres bem decididas, moderninhas e independentes, vocês resolvem tomar uma atitude bastante importante: ir pro bar encher a cara.

No vai-e-vem de tanta cerveja e caipirinha, vocês vão levantando possibilidades para resolver o caso. Para este texto, selecionamos as melhores idéias e, principalmente, as mais plausíveis. Ao invés de apenas uma resposta, diferentemente da revista querida, você minha amiga leitora, tem várias opções. São elas:

- Tirar no palitinho, pra ver quem leva o bofe.

- Tirar no par ou ímpar pra ver quem leva o bofe.

- Matá-lo e ficar com toda a grana dele (essa só é uma boa alternativa se ele tiver bastante grana).

- Dividí-lo: uma fica com ele nos dias pares e outra, nos dias ímpares do mês.

- Uma ficar com a outra e mandar ele pro inferno, aquele maldito indeciso do caralho.

- Cada uma pegar um dos 2 melhores amigos dele. Ou dois irmãos. Ou, dois primos. E casar e serem bem felizes para sempre. E fazer surubas de vez em quando.

- Uma cortar os pulsos da outra. Suicídio duplo. Ou homicídio duplo, sei lá...

- Cada uma ficar com um dos 2 amigos mais feios dele. E fazer os amigos feios bemmmm felizes, de modo que eles contem os detalhes dos chás de bucetas pra ele pro resto da vida.

- Ou pior (e melhor): fazer isso com os dois amigos mais bonitos dele.

- Enlouquecer o desgraçado: fazer serenatas na janela dele... as duas juntas. Cantando música sertaneja; quando uma encontrar ele, lembrar coisas do último encontro... com a outra!; chorar todo dia, fazer dramas, dizer que vai se matar; fazer chantagens emocionais, etc, etc, etc...

- Passar de carro de madrugada pela casa dele e jogar uma garrafa de vodka vazia (que vocês esvaziaram juntas, antes) na janela do quarto dele. E ir pra uma praia depois, nadar peladas.

- Contar tudo pra mãe dele e pedir que ela tome providências.

- Contar tudo pro pai dele também.

- Cada uma comprar uma bicicleta (ao invés de querer casar) e ir pedalando até uma alta montanha do Chile pra virar eremita.

- Começar a fazer cursos por correspondência para tentar ocupar a cabeça e esquecê-lo: tricô, gaita javanês são as melhores opções.

- Fazer um bonequinho de vodu dele e espeté-lo, toda vez que sentir raiva ou saudade. Ou melhor, fazer dois bonequinhos, um pra cada. Programar reuniões especiais, para espetá-los juntas!

- Trancá-lo num quarto escuro e almofadado e botar funk carioca pra tocar o dia todo. Deixá-lo lá por muito tempo... aliás, esquecê-lo lá...

- Alistá-lo na legião estrangeira. E mandar cartas de amor, todo os dias. As duas.

- Prendê-lo na parede do bar e usá-lo de alvo pra um joguinho de dardos... imaginem onde seria o círculo de maior pontuação? Hehehehehehe.

- Esquecer esta merda de discussão e agarrar os dois caras da mesa ao lado.. que são bemmmm gatos... e tão olhando mooooito... hum...

Ops, fomos!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Aperte a tecla foda-se...

Em algumas noites. Só nestas noites.

Eu desejaria concentrar todo o fel que eu sinto...

nas minhas mãos.

E, num simples gesto, como quem solta uma coruja maldita para a madrugada...

enviá-la a estas pessoas.

Eu gostaria que ela se multiplicasse como uma praga e adentrasse os corações de cada uma destas pessoas.

E retribuísse seus favores, a bicadas.

Que tudo começasse como uma pequena pontada no peito.

E irradiasse por todo o corpo, como câimbras...

Como um infarto,

que invadisse seus cérebros e acionasse suas memórias

e as ligasse às minhas memórias,

para que elas entendam o que estão sentindo...

As minhas dores

As dores que eu senti por cruzar cada um de seus caminhos.

Em algumas noites, só nestas...

eu gostaria de liberar no vento algumas mariposas.

Para que, em suas danças ao redor da luz,

elas soprassem no canto dos ouvidos alheios...

todos os segredos que eu guardo com desgosto.

Todas as falas que só me prejudicam.

Eu gostaria de destruir trabalhos, amizades e amores,

através de palavras que nem são minhas...

Como uma mensageira do inferno...

Em algumas noites, eu queria me despir de pudores e consciências,

Escolher uma vítima e fazê-la sofrer. Qualquer uma.

Queria ver sangue escorrendo.

Pelo puro prazer de me vingar de tudo

de tudo que até hoje eu quis, mas não me vinguei.

Daquela menina que me bateu na primeira série.

E daquela pessoa que não me aprovou num concurso no ano passado.

Gostaria de me vingar das minhas paixões frustradas.

E das pessoas que me ensinaram a me importar com os outros...

Gostaria de mostrar a cada uma dessas pessoas, através dessa pessoa escolhida,

que eu sinto muito.

Que eu sinto raiva.

Que eu sinto ódio!

Que corrói meu peito e vai tirando a minha vida, meu lugar, aos pouquinhos...

Que eu desejo sim, julgá-las, como nunca faço.

Que eu acho que elas não estão certas!

E que elas não podem fazer isso comigo!

Nessas noites, eu queria ter todos esses poderes,

Queria me despir da minha pele de cordeiro e liberar esse lobo!

Que ele saísse à caça, engolindo cada má ação, cada gesto. Cada uma dessas pessoas que me magoaram tanto.

Gostaria que ele mastigasse devagar e dolorido...

Por que eu não consigo? Infligir tanta dor?

Todo mundo consegue!

Mas é tão difícil pra mim...

porque isso seria admitir a todas estas pessoas que elas me afetam.

Isso faz com que eu me sinta tão fraca. Tão frágil.

Nesta noites, eu gostaria de me aceitar frágil.

E apenas sentar e chorar... perante todas essas pessoas.




domingo, fevereiro 04, 2007

Rituais adolescentes?

Outro dia me peguei no meio de uma cena de pegação bem diferente e observei todos os passos, curtindo muito, com atenção. Nesse dia, foi bem de adolescente mesmo. E, me deu uma saudade da época em que não havia um desespero tão grande por orgasmos...
Era uma época bem boba e bem boa. Em que a gente podia dormir abraçado, sem rolar nada. Mesmo que tivesse acabado de conhecer o cara e arrastado ele pra sua casa. Porque, hoje em dia (leia-se: na minha idade), se a gente fizer isso é capaz de ouvir “porra mina, se você não ia dar pra mim, por que me tirou da balada? Eu poderia faturar outra foda!”, ou algo do gênero.
Estávamos eu e a vítima no sofá da sala, em casa, assistindo tv... nós nos conhecíamos há pouco tempo. E era a primeira vez que ficávamos sozinhos, sem os nossos amigos intermediários ao redor...
A cena é incrível: os dois não tiram os olhos da tv nem por um instante. Não se olham. Não conversam. Os corações são ouvidos a quilômetros, em disparada.
De repente, uma mão esbarra na minha. Mas esbarra rápido e volta pro lugar. Instinto-resposta imediato: minha mão se mexe um pouco na direção da dele. O impressionante é que nenhum dos dois olha a cena, mas sabe que aconteceu. Eu não olhei pro lado, mas sabia exatamente onde estava a mão dele. Ele também não olhou, mas percebeu que a minha se mexeu pra perto da dele.
Após alguns segundos disfarçando, a mão dele encosta na minha. Meu coração parece sair pela garganta, mas eu nem pisco! A partir deste instante, não existe mais filme, tv, sala, nem nada, mas meu olhar não desvia do ponto remoto onde, um dia, houve uma televisão. E nem o dele...
Aguardo alguns instantes e encosto minha mão um pouco mais. Ele retribui. Eu de novo. E ele pega a minha mão.
Está o maior frio do mundo, e eu suo, derreto, estou vermelha, com vontade de jogar o cobertor que esconde todo esse jogo pela janela. Mas... que janela? Você não sabe nem onde está a parede!
As mãos já se encontraram, se acariciam. E você querendo gritar muito de felicidade, querendo ligar pra todas as suas amigas e contar pra elas sobre o calor que você está sentindo, como seu corpo todo treme, exceto sua mão que está enlaçada na dele, firme, forte e disfarçando todo esse furacão que percorre o resto do seu corpo. Aí você cai em si e pensa: “ligar pra minhas amigas? Eu quero é pular em cima desse cara e beijá-lo a noite toda!”.
Você olha pro lado, dá um sorrisinho tímido. Que é retribuído. Aí você sabe que já está tudo certo.
A mão dele solta a sua e começa a abusar do seu braço. Você se arrepia toda. Já não tem mais noção do prédio. Parece que estão perdidos em alguma praia linda, ou no meio de nuvens, flutuando apaixonados. Que ridículo. Que bom.
Aí ele se vira pra você, passa a mão no seu cabelo, no seu rosto. E você se vira pra ele. E se derrete. E ele te abraça. E você quer morrer de amor.
Estúpida.
Enfim, após toda essa enrolação, ele te beija.
Aquele beijinho suave, no cantinho da boca, e você está no céu. Beijinhos, selinhos bobos. E, nesta hora de êxtase, não importa se o mundo vai explodir na terceira guerra mundial. Ele é tudo. Você também. E estão os dois ali, juntos. A fome no mundo praticamente acabou... não há mais espécies em extinção pra se preocupar. E efeito estufa é intriga da oposição...
Os abraços começam a ficar mais apertados, mais fortes. E você morre de tesão só de encostar seu corpo contra o dele.
Porque esse ritual demora horas. E amplifica em mil vezes o efeito de cada toque.
E, a surpresa final: ao invés de a gente transar enlouquecidamente, pra, no dia seguinte eu avisar pra ele que o ônibus dele está saindo (pra quem não sabe, esse é o meu jeito delicado de falar “já te comi e não sei o que você ainda tá fazendo aqui em casa”), a gente começa a conversar... e, a gente descobre que um acha o outro muito legal. E a gente dorme abraçado... e acorda e toma café da manhã juntos.
E, esse dia... foi tão emocionante quanto orgasmos múltiplos... não transar também é bem legal.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Meus Medos...



Meus medos...


Não têm nada a ver com você mas,

Têm... porque você está aqui.

Desculpe, mas eu sou insegura

E, apesar de pregar a ausência de expectativas... eu espero tanto...

Não sei bem o quê, mas espero demais


Sinto que não te deixei nada para se lembrar de mim...

Sinto que estou em desvantagem nessa nossa brincadeira...

Eu só tenho você pra pensar agora...

E tem ocupado meu tempo

De um jeito maravilhoso. E eu não quero que passe, como outras vezes...


Eu me pergunto se você também pensa...

Mas eu não quero querer nada em troca.

Será esse meu defeito?

Não me sinto autorizada a pedir nada,

Porque parece que você já me deu tanto...


Eu tenho tido idéias idiotas

De meter os pés pelas mãos

Correr atrás de você como louca e te perder pela ansiedade...

De ficar e te perder pela minha ausência...

Eu devia ter deixado algo mais...


Além dos meus pensamentos mais sinceros...

Além de como eu sou de verdade, no fundo...

Querendo colo...

Além dos meus planos, que não te incluíam...

De jeito nenhum...


O medo é porque...

Na verdade... eu me deixei toda...


quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pessoas especiais?



Eu tinha várias dúvidas, sobre o que diferenciava essas pessoas por quem a gente se apaixona dos nossos amigos queridos. Eu tentava entender as diferenças, o que deixava a gente tão louco e tão ansioso pra encontrar de novo, pra ouvir essa voz, pra sentir o toque das mãos no nosso rosto...

Porque... a gente não ama esses nossos amigos demais? Não quer estar com eles pra sempre? Não sente saudades, não anseia por ouvir suas risadas?

Eu achava que isso tinha a ver com as certezas e incertezas. Temos certeza que nossos amigos estarão lá... mesmo depois que a gente os dispensar naquele sábado à noite pra sair com a nova paixão... aquela sobre a qual a gente não tem certeza nenhuma...

Mas e os namoros longos? A gente pensa que sim, mas não tem certeza de nada assim mesmo! Mesmo depois de conhecer o namorado, de saber dos seus defeitos e vícios, de suas qualidades.

E, outra coisa: que certeza é essa de que teremos esses amigos pra sempre? Mesmo que não façamos nada de ruim pra eles... as amizades também se desgastam, também enfraquecem, também acabam...

A conclusão a que cheguei é que... no dia em que descobrir isso, eu escrevo um livro e fico milionária! Desculpem, mas é isso aí mesmo. Vai entender o que faz algumas pessoas serem especiais pra gente! Não dá! É uma coisa doida! Parece um vício!

Às vezes por anos, elas estiveram ali, do nosso lado... e, num dia que acordamos, do nada, elas simplesmente estão contornadas por uma esfera de maravilhas! E a gente se pergunta: “meu deus! De onde é que isso veio? Como eu não percebi isso antes?”

Às vezes a gente ainda está triste, pensando numa outra pessoa e, de repente, alguém cruza o nosso caminho. E basta um olhar, uma conversa boba... um sorriso diferente.... e fodeu!

Todas as nossas certezas não servem pra nada nessas horas. E eu tenho a péssima mania de racionalizar tudo! E eu fico muito brava quando não consigo!

É cheiro? É feromônio? Mas se fosse isso, como pode-se explicar aquelas paixões por pessoas próximas, que sempre estiveram ali, mas nunca notamos nesse sentido?

E como é que acaba? Como é que todas as pessoas têm essa coisa? E como é que a gente só se encanta por algumas...

E por que é tão difícil de isso acontecer e, quando acontece, acontece nas piores horas, nas piores situações? Nas mais difíceis! Eu pergunto isso, porque os malditos psicólogos dizem que coisas boas só acontecem quando a gente está bem. E eu acho bom me apaixonar. Vocês não? Mesmo que ferre tudo...?

Quem controla essas coisas? Se for um deus... ele tem um senso de humor bizarro...

E o mais louco... quando acaba. Se acaba... a gente perde o chão! E por isso dá um medo tão grande de começar! Mas, mesmo assim, a gente não consegue controlar! A gente quer! Isso é seleção natural? É pra garantir o sucesso reprodutivo da espécie? Mas a gente quer ficar junto de qualquer jeito, mesmo sem se reproduzir! Que coisa de gente louca!

E, se acaba... a gente fica desesperado, tentando ter de volta aquela sensação. E a gente se pergunta, desesperado, onde vai encontrar outra pessoa como aquela? Porque é tão difícil!

E a resposta vem... e a gente percebe, depois de algumas tentativas... que não vamos encontrar outra pessoa como aquela. Mas outra pessoa que nos encante, com outro lindo conjunto de características que podem ser tão diferentes... e que nos deixe, de novo, deslumbradas do mesmo jeito... ou pior...

E os nossos amigos simplesmente terão que aguentar outros surtos psicóticos, outros canos, outras choradeiras, etc, etc, etc... o papel deles nessa brincadeira é outro. Ainda não sei o que diferencia a amizade e a paixão. Mas sei que elas se diferenciam muito bem.

Então... chega de tentar escrever teses sobre isso. Eu me conformo com o fato de me apaixonar de novo, sem saber explicar o porquê, de onde veio, o que aconteceu, se vai durar, se vai dar certo e o diabo. Afinal, é tão bom... e é tão possível! Acho melhor ser mais calma...