quarta-feira, agosto 15, 2018

Só 4 coisas


A minha escrita anda perdendo lugar pro meu namoro…
Hoje, por exemplo, enquanto ele não chega, tenho 5 minutos para dizer 4 coisas:

1.    Parece que existe uma idade máxima para se beber muito num bar;
2.    Depois dessa idade parece que temos que assistir novela e só.
3.    Essa idade só aplica a mulheres e viados (e varia entre os dois grupos).
4.    Acho que vou começar a fazer judô.

Na verdade, tem mais umas coisinhas:

Ando com vergonha de ser gente, quando essas criaturas que vem propor um teto para o meu porre se intitulam gente como eu.

Estou com muito medo de quando eu estiver no bar, todas as outras criaturas sentadas que se dizem gente, não fizerem nada, quando 6 broncos nos agridem, com palavras - quase paus.

Estou com medo de não dizer nada. Estou com medo de dizer errado. Estou com medo de dizer certo e apanhar. Estou com medo de ninguém ouvir.

Estou, acima de tudo, solidária e preocupada de estar tão longe de todxs que precisam ser acolhidxs nesses 5 minutos em que parei… para dizer essas 4 coisas.

terça-feira, maio 29, 2018

Acabou a Gasolina


E ele entrou em greve.
Me olhou nos olhos e disse:  - assim não dá mais.
- Você rompe todos os acordos.
- eles nem dizem respeito a mim, mas a você.
Ele sabe, só formou três frases com o que eu também já sabia (só não ousava formular a pergunta, que nem diz respeito a nós).
(mas a desatar, ou não)
A rota cotidiana já passou.
E fica: eu quero ficar ou (part)ir?
E como não poderia ser mais irônico,
no meio da escassez de combustível,
Eu tenho que me perguntar se quero sair do lugar…
Eu que ando passos de tartaruga,
Nessa coisa de ir,
Porque indo, algo tem que ficar,
Nem que seja a paisagem.
E eu que estava só passando,
Recebi essa notificação de desvio…
Coisa que eu sempre ignoro.
Prefiro ficar parada,
Até meio estagnada,
Nessa minha própria lentidão de andar a pé.
Esperando um sinal,
abrir.
E quando, eu avanço devagar,
Fico divagando pelo asfalto,
Tenho medo de velocidade,
Mas tenho ido longe.
Agora basta saber,
Se vou só.
Não sei se caso, ou compro uma harley.

domingo, maio 01, 2016

O inferno de cada um


Passam os dias,  semanas,  fins de semana,  anos, sem que nada mude. A dor continua aqui. A solidão continua aqui. Olho pela janela e nada lá fora me parece capaz de diminuir esse sofrimento. Não me sentir amada,  não amar é esse meu inferno. Quem diz que isso é besteira,  que não temos que sentir falta disso,  que o amor próprio basta, não sabe o que está falando. Não sente a dor de dia após dia entrar na casa vazia,  silenciosa,  não dividir a cama,  a pipoca,  não brigar por uma bobagem qualquer. Quem fala que isso não importa na vida ou está muito bem acompanhado ou um pouco morto por dentro. Eu estou viva.

quarta-feira, março 23, 2016

Mais uma página



Hoje meu desejo é dizer de páginas.
E da convivência com esse incrível grupo de mulheres e suas páginas:
de livros, teses, artigos.
Páginas da web, deste blog;
de álbuns antigos de fotografias.
Dizer sobre como temos preenchido nossas páginas:
de letras, lágrimas, respingos de cerveja.
Com amor, dor, alegrias e, principalmente, coragem.
Coragem de construir as páginas, submetê-las aos olhares do mundo.
De abandoná-las às gavetas, para voltar olhares a outras páginas.
De colocá-las em envelopes e enviá-las ao redor do mundo. Apenas para serem tocadas por outras mãos, enquanto lêem: - não.
Coragem de finalmente virar as páginas e encarar, novamente, uma página em branco.
Que as encara de volta como abismo.
No fundo dele: deriva e caminhada (Geremias, 2016) de canetas sobre novas páginas.
Hoje é dia de virada de páginas muito especiais. De páginas rasgadas. Amassadas.
Libertadas.
Espero podermos ainda virar muitas páginas juntas. Deste livro que estamos compondo de nossas vidas.

E que o gênero melhore. Porque novela mexicana tá foda.

terça-feira, janeiro 05, 2016

todo dia




todo dia
em que estamos juntos,
perto ou longe,
me
desdobro…

perguntas, suposições
planos loucos de estrelas
e de mar.

Não importa o que ela quer – você diz.

Não importa mais nada?
Além de…
Esse momento frouxo de insanidade,
dobrados em ansiedades
de colocarmos,

nossos corpos um no outro?
E o que somos…
E o que mais não importa?

A minha boca, perto.
da sua boca, perto.
Sorrindo-se enquanto tudo vai pelos ares
destes nossos sons,
de se dizer.

Ando roubando suas palavras,
pelas frestas da janela,
enquanto o sol nasce.
e você pensa que me distrai

Não estou sozinha
em nenhuma delas.
todas tem a sua presença
como condição.

são decorrentes,
desse encontro
dos olhos
cotidianos
que se olham
pela primeira vez

todo dia.